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Candidíase: saiba como identificá-la e tratá-la adequadamente

⏱ 6 min de leitura📑 5 capítulos📅 Revisado em 05/12/2023
Candidíase: saiba como identificá-la e tratá-la adequadamente
Neste artigo (5 capítulos)
  1. 01O que é a candidíase?
  2. 02Fatores de risco
  3. 03Tipos de candidíase
  4. 04Diagnóstico
  5. 05Tratamento

Resposta rápida

Provavelmente você já passou por isso ou conhece alguém que enfrentou o desconforto causado pela candidíase, uma infecção extremamente prevalente, que atinge mais de 75% das mulheres do mundo em algum momento da vida.

1O que é a candidíase?

A candidíase é uma infecção causada pelo crescimento excessivo e descontrolado do Candida spp., um fungo que existe sob a forma de pequenas leveduras unicelulares e está presente naturalmente na microbiota humana. Ela pode ser causada por diferentes espécies do gênero Candida (C. albicans, C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei e C. parapsilosis), mas a subespécie C. albicans é a responsável pela grande maioria dos casos (cerca de 90%). 

Ao contrário do que muitos acreditam, a candidíase não é classificada como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), uma vez que a Candida já é um fungo encontrado nas mucosas humanas. A infecção por esse fundo é definida como oportunista, uma vez que ocorre devido a um desequilíbrio dessa microbiota, causada normalmente pela queda da imunidade. Ainda, a infecção pode se manifestar em outras partes do corpo, como na boca, pele e unhas e, em casos mais agressivos, pode se tornar sistêmica e afetar a corrente sanguínea.

2Fatores de risco

Como vimos, a candidíase é causada pelo crescimento exacerbado do fungo do gênero Candida, mas essa multiplicação fúngica pode acontecer por diversos motivos. Dentre os fatores facilitadores, destacam-se aqueles que favorecem a queda da imunidade, como o uso de antibióticos, corticoides, imunossupressores, estresse, imunodeficiência, obesidade e diabetes melitus descompensada.

Leia também: Como se livrar da candidíase de repetição · Produtos Naturais que Auxiliam no Tratamento da Candidíase

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Entretanto, existem outros fatores que contribuem para o crescimento fúngico, como a descompensação hormonal, causada pelo uso de anticoncepcionais e pela gravidez, além de hábitos de higiene e vestuário que aumentem a umidade e o calor local. É importante notar que, embora esses fatores aumentem o risco de candidíase, a presença de um ou mais desses fatores não garante o desenvolvimento da infecção. Apesar de ser mais comum em mulheres, a doença pode acometer homens, bebês, crianças, adultos e idosos.

3Tipos de candidíase

A candidíase pode se manifestar de forma localizada e sistêmica, e a sua classificação depende da área acometida por ela. Hoje já são identificados diversos tipos de infecção por Candida spp., e dentre elas podemos destacar: 

  • Candidíase genital, também conhecida como vulvovaginal, que, como o nome sugere, é uma infecção que acomete a vulva e a vagina. É o tipo mais prevalente de candidíase; 
  • Candidíase oral, denominada também de sapinho, que acomete a mucosa bucal, caracterizada pelo aparecimento de pequenas lesões esbranquiçadas; 
  • Candidíase Ungueal, resultando na alteração do aspecto das unhas e dor, 
  • Candidíase sistêmica, sendo o tipo mais grave, também mais comum em pessoas com o sistema imunológico comprometido, em que o fungo atinge a corrente sanguínea, podendo levar a óbito.

Acima, descrevemos alguns dos tipos de infecção por Candida, mas a candidíase vulvovaginal, a oral e a sistêmica se destacam devido a sua maior incidência em relação aos outros. 

4Diagnóstico

Cada tipo de manifestação da candidíase apresenta uma característica específica que as diferenciam e permitem a sua identificação. No quadro abaixo, relacionamos os tipos de candidíase com os seus principais sintomas. Confira:

O diagnóstico baseia-se em, além do exame clínico, exame micológico por microscopia para avaliação da cultura de fungos. No caso da candidíase vulvovaginal, o exame periódico de Papanicolaou também pode indicar infecção por Candida e, em casos de infecções recorrentes, caracterizada pela ocorrência de quatro ou mais episódios dentro de um ano, apenas os relatos sintomáticos podem ser considerados pelo profissional da saúde para o diagnóstico, sem necessidade de cultura. Também pode ser realizada a medida de pH vaginal, uma vez que variações no pH podem favorecer infecções.

5Tratamento

Ao contrário do que se imagina, a candidíase não afeta apenas os órgãos genitais, podendo se manifestar em diversas partes do corpo. Consequentemente, os tratamentos para cada tipo de infecção deverão acontecer de acordo com o caso, com o tipo de candidíase e com as condições clínicas de cada paciente. Nesse artigo, focaremos no manejo da candidíase vulvovaginal, uma vez que é o tipo mais frequente entre as mulheres no mundo. 

Lembramos sempre que antes de iniciar qualquer tratamento, é imprescindível consultar um profissional de saúde. Apenas um médico habilitado pode realizar um diagnóstico preciso e recomendar a terapêutica mais adequada para o quadro clínico. 

O manejo eficaz da candidíase envolve uma abordagem multifacetada que visa aliviar os sintomas agudos, prevenir recorrências e abordar possíveis fatores de risco subjacentes. O tratamento geralmente inclui o uso de antifúngicos, seja na forma de cremes, supositórios ou medicamentos orais, conforme recomendado pelo profissional de saúde. É crucial seguir rigorosamente as orientações do tratamento prescrito e concluir o curso completo de medicação, mesmo que os sintomas melhorem antes. 

No tratamento farmacológico oral da candidíase, utiliza-se fluconazol, cetoconazol e itraconazol. O fluconazol é o antifúngico mais usado para a subespécie albicans, entretanto apresenta interações com diversos medicamentos, e seu uso em associação deve ser evitado.

Os fármacos de primeira opção para o tratamento tópico da candidíase são nitrato de butoconazol, clotrimazol, miconazol e tioconazol, usualmente prescritos na forma de pomada ou creme para uso vaginal por até 7 dias, podendo ser associados a corticoesteroides para a melhora de hiperemias e irritações. A nistatina também é recomendada, apesar da sua eficácia ser um pouco menor.

Em casos resistentes ou para candidíases não-albicans (não causadas pela Candida albicans), recomenda-se o uso por até 14 dias, associando à terapia oral. O uso de ácido bórico intravaginal também pode ser usado para as demais subespécies de Candida, apresentando altas taxas de sucesso.

O tratamento tópico é o de primeira escolha para o tratamento da candidíase vulvovaginal, uma vez que apresenta alta eficiência e não apresentam toxicidade sistêmica em comparação com o tratamento oral. 

Os métodos de tratamento para a candidíase são resumidos na tabela abaixo: 

Primeira opção:

Creme de miconazol a 2%.
Posologia: Um aplicador cheio, por via vaginal, à noite, por 7 dias.

Nistatina 100.000 UI
Posologia: Uma aplicação, via vaginal, à noite ao deitar-se, por 14 dias.

Segunda opção:

Fluconazol 150mg
Posologia: Via oral, dose única.

Itraconazol 100 mg
Posologia: 02 comprimidos, via oral, duas vezes por dia, por 1 dia.

Casos complicados ou recorrentes

Fluconazol 150mg
Posologia: Via oral, uma vez por dia, nos dias 1, 4 e 7 (alternar por 3 dias).

Seguido de terapia de manutenção Fluconazol 150mg
Posologia: Via oral, uma vez por semana, por 6 meses

Candidíase não-albicans

Ácido bórico 600mg
Posologia: Aplicar diariamente, por via vaginal, durante duas semanas.

Observações:

 Durante a gravidez, o tratamento deve ser realizado somente por via vaginal;

O tratamento oral está contraindicado na gestação e Lactação;

As parcerias sexuais não precisam ser tratadas, exceto as sintomáticas;

É comum durante a gestação, podendo apresentar recidivas pelas condições propícias do pH vaginal que se estabelecem nesse período.

Esse protocolo é apenas informativo. A avaliação de cada caso deverá ser feita por um médico ou outro profissional de saúde habilitado, de forma individualizada. Não compactuamos com a automedicação.

Além da utilização de medicamentos antifúngicos, o tratamento não farmacológico também tem sua importância, principalmente através do controle de fatores de risco, com o objetivo de reduzir recidivas ou evitar a criação de um ambiente favorável para a ocorrência da infecção.

A fim de evitar a candidíase, é recomendado a adoção de medidas simples, como evitar vestuários inadequados, evitar duchas vaginais e não utilizar desodorantes íntimos, além de mudança no estilo de vida, seguindo uma dieta balanceada e consumir alimentos ricos em vitamina A e D. 

Conviver com a candidíase pode ser desafiador, mas a compreensão dos fatores que contribuem para a infecção e a adoção de práticas saudáveis podem ajudar a gerenciar os sintomas. Manter uma boa higiene, especialmente na região genital, e escolher roupas que permitam a ventilação adequada podem reduzir o risco de recorrência. Além disso, indivíduos com diabetes devem priorizar o controle glicêmico para minimizar a propensão à candidíase.

A busca por orientação médica é essencial para um diagnóstico preciso e o desenvolvimento de um plano de tratamento eficaz, que pode incluir o uso de antifúngicos tópicos ou orais. É importante reconhecer que a candidíase não está sozinha associada à falta de higiene e pode afetar pessoas saudáveis, enfatizando a importância da conscientização e do cuidado preventivo para uma convivência mais equilibrada com essa condição.

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